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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O casamento gay, as questões que os libertários devem debater.

O casamento gay, os libertários e as questões que ninguém se atreve a discutir

No infindável debate sobre casamento gay, algumas questões — provavelmente por serem politicamente incorretas demais — têm sido deixadas de lado.  Tanto os conservadores quanto os progressistas estão seriamente iludidos em suas posições, ainda que de maneiras distintas.
Os progressistas querem utilizar o casamento gay como uma forma de legitimar — ao menos é isso que eles acham que vão conseguir — os relacionamentos homossexuais, na crença de que tal medida faria com que o homossexualismo passasse a ser visto como algo corriqueiro tanto em termos civis quanto sociais.  A exigência final do movimento é a obtenção daquilo que chamam de “igualdade” gay.

Já os conservadores, principalmente os religiosos fundamentalistas, creem que o casamento gay iria depreciar a instituição do casamento, o que os leva a fazer campanhas histéricas para “proteger” o casamento dos ataques destes seres ímpios e desviados.

Por que ambos os lados estão seriamente iludidos?  Comecemos com os progressistas.

O casamento se resume a um objetivo: criar filhos.  Sem esse objetivo, o matrimônio perde sua razão — principalmente no mundo de hoje, em que encontros pela internet, poligamia consentida e promiscuidade desenfreada são amplamente aceitos.  O casamento é, portanto, uma instituição econômica, um arranjo financeiro voltado para a criação e educação de uma nova geração.  O casamento é um acordo voluntário feito por dois adultos que se comprometem, conjuntamente, a suprir as necessidades de sua prole e, quando chegar o momento, legar a ela toda a riqueza que acumularam em vida.

Obviamente, não estou dizendo que casamentos sem filhos não são realmente casamentos, ou que todos os ornamentos emocionais e psicológicos do casamento tradicional — monogamia, comprometimento e, sim, amor — são irrelevantes.  Estou apenas falando sobre a instituição civil do casamento e de como ele se desenvolveu no mundo ocidental, e não do fenômeno cultural que evoluiu ao longo de vários milênios — algo que não foi criado pelo estado, mas que acabou sendo sequestrado por ele.

Como disse a famosa antifeminista Camille Paglia:
Creio que [o casamento gay] é uma questão explosivamente propensa a gerar uma reação antigay…..  Este é o problema: chamá-lo de casamento.  Se você perguntar ao trabalhador comum nas ruas “Você acredita em casamento gay”, isso fará com que ele tenha um espasmo de absoluta repugnância. 
O casamento foi tradicionalmente concebido para se dar entre o homem e a mulher.  Foi um elo estabelecido para a criação de filhos, e por isso ele sempre teve um significado procriador também, além de possuir uma longa e sagrada tradição por detrás.  Odeio quando causas gays se confundem e acabam parecendo querer profanar a tradição sagrada de outras pessoas.  A liderança do ativismo gay tem sido totalmente grosseira e canhestra no que concerne essa questão.  Ao invés de tratar a questão de modo sério, dizendo “Nós respeitamos a tradição do matrimônio”, o ativismo gay está associado a piquetes na porta de entrada das igrejas.

Paglia está correta.  O matrimônio não é uma instituição civil, mas sim uma tradição religiosa e cultural que o estado (até agora) tem sido obrigado a respeitar e a reconhecer — e ela está centrada na procriação, uma questão com a qual a maioria dos homossexuais não tem de lidar.

O que nos leva ao argumento central utilizado contra o casamento gay: ele se baseia em um modelo heterossexual de relacionamentos sexuais e emocionais, um que simplesmente não se encaixa no estilo de vida gay.  A ideia de querer fazer com que gays assumindo compromissos matrimoniais seja visto como algo corriqueiro advém do erro central do igualitarismo, a absurda ideia de que os seres humanos são “iguais” e, portanto, permutáveis — ou seja, que é normal que pessoas diferentes façam os mesmos rituais.  O igualitarismo na realidade não é uma ideologia política: é uma religião, perfeitamente capaz de resistir a seguidos ataques de claras evidências em contrário.

Chamo a atenção para uma evidência anedótica, porém significativa, dessa concepção errônea dos fatos: quando a Califórnia autorizou brevemente o casamento gay, os casais mais proeminentes e numerosos eram as lésbicas. Mulheres, obviamente, amam a ideia do casamento, e pensam nisso desde crianças.

Lésbicas podem engravidar, e de fato fazem isso.  Elas criam filhos, milhares dos quais estão atualmente vivos, fortes e ativos.  Na cidade de São Francisco, por exemplo, crianças criadas por lésbicas formam uma parte significativa — e crescente — dos alunos de escolas públicas.  Lésbicas, portanto, encaixam-se dentro do modelo procriador do matrimônio, ainda que elas não possam se reproduzir sem a participação passiva de homens que doam seu esperma.

Já os homens gays, por outro lado, são… homens, e nenhum homem quer realmente se casar.

Promiscuidade e suas concomitantes atitudes andam de mãos dadas com a masculinidade e a virilidade: essa é a nossa herança genética e socialmente construída, enraizada em nossa própria natureza e inabalável perante os ataques tanto das feministas politicamente corretas quanto dos conservadores puritanos.  Monogamia e masculinidade são opostos em uma dicotomia: a ideia de fidelidade sexual é distintamente feminina, e está ligada à avassaladora (e inerente) necessidade de segurança e certeza — isto é, a certeza de que o pai de seus filhos irá ajudar na criação adequada das crianças.  O colapso desse pacto social e sexual, o qual fortalece a nossa civilização, está por trás do estado de barbaridade a que desceu as partes pobres das grandes cidades, onde bandos de adolescentes indisciplinados e órfãos de pai estão à solta, fazendo baderna e enchendo as prisões.

O casamento, no contexto da homossexualidade masculina, não é apenas uma contradição: a própria ideia de dois homens “se casando” desperta tantos protestos exatamente porque ela faz uma paródia, uma imitação burlesca, das uniões heterossexuais.  Afinal, uma paródia é uma imitação zombadora do original, uma que macaqueia a forma mas rejeita ou ridiculariza sua essência.  É esse escárnio que eriça e indigna as pessoas contrárias ao casamento gay — e muito compreensivelmente.

Entretanto, não é apenas essa ameaça de gerar uma reação antigay — a qual a senhorita Paglia corretamente aponta — que é o aspecto mais preocupante da proposta de se “legalizar” o casamento gay.  As piores vítimas da legalização do casamento gay não serão os héteros, não obstante toda a ridícula gritaria de que a instituição do casamento será “depreciada” e, consequentemente, irá se tornar menos popular se dois efeminados puderem contrair matrimônio.  Quem realmente será prejudicado pela admissão ao templo de Hera são justamente os homens gays.

Com o casamento gay virá o inevitável divórcio gay — e, creia-me, a coisa será feia.  Se os ativistas gays pensam que o casamento irá de alguma forma legitimar a homossexualidade perante os olhos do cidadão comum, então eles realmente estão desantenados da própria realidade, a qual irá fazer com que os divórcios heterossexuais, mesmo os litigiosos, pareçam um piquenique de escola dominical.  Com efeito, prevejo que, dada a natureza do animal macho, a taxa de divórcio dos homens gays rapidamente irá superar a taxa de casamentos gays.  O casamento gay — na comunidade gay masculina — está fadado à auto-extinção.

Essa aversão do homem gay ao casamento já está prognosticada na declinante taxa de parcerias domésticas — almejadas como precursoras do casamento gay — nos guetos gays das grandes cidades.  Um número ainda menor irá se registrar para a viagem ao altar, principalmente quando ficar claro para eles que, junto com o direito ao casamento, vêm também algumas responsabilidades, principalmente de natureza financeira.

É aqui que toda a propaganda conservadora contrária ao casamento gay mostra-se completamente maluca e fora da realidade: a suposta “ameaça” à instituição do casamento representada pela legalização de uniões gays varia de zero a inexistente.  
A ideia de que uma multidão de homens gays, dada a oportunidade, irá correr para se casar é uma fantasia partilhada por ambos os lados desse debate.  O que ocorrerá se a infidelidade sexual se tornar um motivo legal para o divórcio?  Vários fatores que ninguém jamais considerou irão levar ao grande fiasco do “casamento gay”.

Será que os gays querem ter metade de sua renda reivindicada por seus cônjuges?  Com o casamento gay virá a pensão gay, e é isso que fará com que os casos de divórcio gay sejam espalhafatosos, com garotões aventureiros dando o golpe em velhotes ricos e solitários, despojando-os de boa parte de suas fortunas.  O casamento gay sairá de moda rapidamente à medida que uma série de casos de divórcio ostensivos e escandalosos for chegando aos tribunais.

A própria frase “casamento gay” é um paradoxo.  A essência da homossexualidade, afinal, é a evasão do casamento — e a concomitante responsabilidade de se criar uma família.  É a adoção da sensualidade por si própria, como um instrumento de prazer puro, sem se buscar a procriação.  Será que os homens gays realmente querem abrir mão daquilo que é o mais interessante em suas atividades recreativas: a tremenda sensação de liberdade que ela lhes traz?

Os atuais ativistas gays estão se dedicando a uma missão realmente fútil, que é fazer com que a homossexualidade pareça “natural”.  Entretanto, eles realmente deveriam seguir o exemplo de seus predecessores na Grécia antiga, que tomaram o caminho oposto.  Na Grécia antiga, os filósofos debateram os méritos e os deméritos do comportamento homossexual — embora o “gayzismo” fosse um conceito desconhecido para eles, graças aos deuses —, e os defensores dessa prática foram, assim como são hoje, confrontados com o argumento de que a homossexualidade é “anormal”.

Pausânias, em O Banquete, de Platão, responde que a homossexualidade é o “amor celestial” precisamente porque está separada da carnalidade mundana e centrada em uma concepção idealizada de beleza.  Ela é puramente estética e de modo algum procriadora — ou seja, completamente não natural e artificial.  Para Pausânias e seus clássicos companheiros gregos, isso a tornava superior ao primitivismo e à rudeza dos “homens mais sórdidos”, exclusivamente heterossexuais, que não possuíam a capacidade “superior” de apreciar a beleza em todas as suas formas, inclusive na forma masculina.

Longe de argumentarem que a homossexualidade era equivalente à heterossexualidade, os antigos defensores do amor homossexual enfatizaram o grande abismo que separa ambos.  Ao invés de imitarem os heterossexuais e incansavelmente fazerem lobby em prol do “direito” de se casarem, o grupo de Platão procurou manter distância do mundano e ressaltar a singularidades deles próprios.  Pausânias argumenta que a escolha de homens mais novos em detrimento das mulheres disponíveis é um indicativo de uma qualidade moral superior, evidência de uma pureza que desafia e transcende a biologia.  O amor homossexual, afirmou ele, representa um progresso da própria natureza humana — que é, afinal, a característica notável da civilização humana.

Para os ativistas gays da era moderna, com seus dogmas de determinismo biológico — o “gene gay” — e suas arraigadas e deturpadas noções de igualitarismo, tal argumento é inconcebível.  Para eles, não há nenhuma outra possibilidade: eles fervorosamente acreditam que são determinados geneticamente a se envolverem em atos homossexuais.  De acordo com essa visão, orientação sexual é como gênero e raça.  No contexto da sociedade em que vivemos, isso significa que é — ou deveria ser — ilegal “discriminar” de acordo com a orientação sexual, da mesma maneira e pelas mesmas razões que hoje é crime de ódio considerar questões de raça, religião e gênero no âmbito do emprego, da habitação e das relações sócio-econômicas em geral.

Essa ortodoxia jaz no topo de uma montanha de pseudociência misturada com moralismo, que afirma — sem evidência científica convincente — que a “orientação” sexual é geneticamente determinada.  Trata-se da versão progressista do lysenkoismo, em que a ideologia determina as conclusões políticas antes mesmo dos fatos (exceto pelo fato de que Lysenko e seus padrinhos stalinistas estavam expressando a ortodoxia esquerdista de uma época em que os homens podiam ser projetados e engendrados por meio do poder do estado).

A ironia é que, enquanto várias organizações progressistas (e conservadoras) são alérgicas à noção de diferenças hereditárias, o lobby dos direitos gays se mantém apegado a um dogmático determinismo genético que é, em outros contextos, relegado às fronteiras extremas do politicamente incorreto.

Fora a ausência de evidências científicas, o bom senso já é suficiente para derrubar esse tipo de reducionismo genético grosseiro feito para uma área tão cheia de sutilezas, nuanças e variedades quanto a sexualidade humana.  Afinal, o que seriam os bissexuais?  Seriam eles aberrações genéticas ou apenas pessoas fazendo diferentes escolhas em diferentes momentos de suas vidas?  Isso vai contra a teoria da “orientação” sexual, que insiste em uma lealdade rígida a certos comportamentos.

E, no final, o uso da genética é apenas um truque.  Todo o movimento dos direitos gays baseia-se no mais desestimulante — na realidade, patético — motivo imaginável: a necessidade de aceitação.

Uma genuína posição libertária em relação ao casamento gay é muito simples: os libertários têm de impedir a incursão do estado em questões privadas.  Isso significa que qualquer libertário de princípios deve se opor à “legalização” do exato tipo de casamento que já ocorre na comunidade gay, embora não em uma forma que a maioria dos héteros considere familiar ou aceitável.

O estado, afinal, já fez árduos e amplamente exitosos esforços para regular e intervir na vida natural das famílias, bem como nas relações entre homens e mulheres.  O advento do casamento gay significaria ampliar o alcance do estado sobre a vida privada dos indivíduos.  Certamente nenhum libertário poderia concordar com tal coisa, e certamente faria de tudo para se opor a isso.

Entretanto, todos os tipos de supostos “libertários” e simpatizantes simplesmente pressupõem que apoiar a “legalização estatal” do casamento gay — e, com efeito, apoiar o estilo de vida homossexual — é um princípio fundamental do libertarianismo.  Simplesmente não é.

O libertarianismo é apenas uma teoria econômica e política.  Ele não tem nada a dizer quanto ao “estilo de vida” que uma pessoa escolhe, assim como não tem nada a dizer sobre física quântica.  Não se trata de um superabrangente sistema moral e metafísico que pretende explicar tudo e que possui uma receita prescrevendo como cada um deve viver a vida.  Os libertários não apóiam e nem condenam homossexuais e a homossexualidade: nós simplesmente dizemos que as atividades sexuais entre adultos em comum acordo não devem ser reguladas pelo estado.  Ponto.

Essa ânsia de querer politizar até mesmo as mais íntimas interações sociais é supremamente antilibertária.  A ironia é que isso consegue apenas dessexualizar o comportamento que se quer legitimar.  No final, a campanha para “legitimar” a homossexualidade pode muito bem acabar reduzindo seu apelo — e, em um tipo de justiça cruel, reduzir o número de homossexuais.

Outra ironia ainda maior é que o movimento da “liberação” gay acabou se transformando no oposto do que sempre foi.  Antes, os gays se orgulhavam de representar uma rebelião, um desafio à ordem social burguesa, expressando e celebrando sua liberação em relação às normas morais e legalistas.  Hoje, inversamente, os ativistas gays querem reforçar o poder dessas normas, tentando “expandi-las” para sobre eles também.  Aquilo que começou como um movimento para a “liberação gay” transformou-se em uma campanha para tornar a sociedade gay tão limitadora da sexualidade (particularmente da sexualidade masculina) quanto o mundo hétero — e ainda mais entediante.

O estado sempre invadiu cada aspecto da vida das pessoas.  Dificilmente havia uma área que ainda não havia sido ocupada por um exército de burocratas, advogados, juízes e políticos.  A subcultura gay, entretanto, quase sempre conseguiu se manter fora desse sistema, de modo que os homossexuais puderam usufruir grandes liberdades e flexibilidades em suas vidas pessoais, uma condição feliz a que o casamento — e qualquer forma de intervenção estatal — invariavelmente põe fim.  Homossexuais que querem a “legalização” do casamento gay estão, na verdade, querendo que o estado passe a regular todo um estilo de vida que até então vinha se mantendo à margem de regulamentações — e é exatamente por isso que o casamento gay vai se comprovar tão impopular na comunidade gay masculina quanto o é no coração dos conservadores religiosos, muito embora por motivos extremamente distintos.

Recentemente, estava eu fazendo compras em um mercado perto de casa quando dois membros pertencentes a uma organização dos direitos gays me pediram para assinar uma petição em nome da legalização do casamento gay.  Minha resposta: “Por que vocês querem o estado certificando e chancelando suas relações com outros?  Vão em frente e façam suas próprias cerimônias de casamento.  E parem de ficar se rebaixando e mendigando a aprovação do estado”.

E eles apenas ficaram olhando pra mim como se eu tivesse acabado de chegar de Marte.

Justin Raimondo é um ativista libertário americano, homossexual, editor do site Antiwar e autor do livro An Enemy of the State: The Life of Murray N. Rothbard

sábado, 18 de novembro de 2017

Como o governo gera pobreza

Como o governo gera pobreza


Quem pagou por aquele caminhão – um cara pobre ou um cara rico? A grande fonte de salários mais altos e alto padrão de vida é o capital. Considere: quanto vale um caminhoneiro sem um caminhão?
Deixemos a pergunta (e sua resposta intuitiva a ela) amadurecer um pouco, enquanto fazemos mais perguntas semelhantes sobre outras pessoas. Quanto vale um eletricista sem a energia elétrica? Quanto vale um jogador sem a TV? Quanto vale um garçom sem um restaurante? O que é o funcionário de uma loja sem a loja, sem um computador, sem um scanner de preços? Vou até perguntar sobre eu mesmo: quanto valho eu sem meu computador?

Vamos voltar para o caminhoneiro. Sem um caminhão, seu valor para os outros diminui para quase zero. Se o compararmos com um brutamonte carregando a carga do caminhoneiro nas costas, o brutamonte vale muito menos, não é? O caminhoneiro pode não ser tão esperto, tão educado ou tão forte, porém, ele vale milhares de vezes mais do que o brutamonte. Por quê? Por causa do caminhão.

Agora, faça uma pergunta simples: quem pagou por aquele caminhão – um cara pobre ou um cara rico? Você sabe a resposta. Quem empregou o caminhoneiro – e o manteve empregado – um cara pobre ou um cara rico? Provavelmente um cara rico. Poucos permanecem empregados por caras pobres, pelo menos por muito tempo.
Da mesma forma, quem pagou pela fábrica que construiu o caminhão? Um cara rico. Tudo bem, talvez vários caras ricos ou, nos Estados Unidos, indivíduos de renda média (que são ricos quando comparados com os padrões de vida daqueles que moram em outros países). O mesmo para a fábrica que produz chips de computador em volume suficiente para fazer seu preço cair para centavos de dólar por gigabyte, o que requer fábricas de bilhões de dólares.
Os pobres não as constroem; os ricos o fazem. O mesmo é verdade para os estúdios de iluminação de televisão onde o eletricista executa seus esquemas de iluminação, as fábricas de televisores e de cabos que colocam o jogador (e atores, e âncoras de notícias) na televisão; o restaurante e as fábricas que criam os suprimentos que cada trabalhador usa a cada dia de trabalho; a loja em que o funcionário trabalha, e o caixa e os scanners que ele usa.
E eu também. Eu valho muito menos sem meu computador, o que tornou as coisas imensuravelmente mais eficientes (mesmo que tenha permitido ao estado complicar as coisas a um ponto inimaginável na idade do papel e lápis). Não guardo rancor contra aqueles com cérebro e poupança para criar e construir os chips de computador e monitores que fazem meu trabalho muito mais eficiente do que seria sem tais chips e monitores. Na verdade, eu gostaria de facilitar as coisas para eles – o que me tornaria ainda mais valioso para os consumidores dos meus serviços. Eu gostaria de deixá-los ficar com mais de seus ganhos. Na verdade, todo ele.

Três maneiras de criar riqueza
Há apenas três maneiras de criar riqueza real, nenhuma das quais envolve transferências involuntárias ou, de forma clara, roubo. O óbvio é através da produção de bens ou serviços que são vendidos a compradores voluntários, ou doados a destinatários voluntários. Exceto por doações voluntárias de riqueza, se os outros não compram voluntariamente bens e serviços, então eles não lhes atribuem valores mais elevados do que os pagamentos feitos e, portanto, a riqueza não foi criada; ela foi consumida. Se forem voluntariamente doados, na medida em que os bens ou serviços eram de menor valor para o doador e de maior valor para o donatário, a riqueza foi criada, mesmo que não haja uma unidade com a qual medir essa criação de riqueza. (Ainda assim, não há nada errado ou imoral em relação a tal caridade.) Observe que as vendas ou outros tipos de transferências voluntárias implicam que tais bens e serviços funcionem, operem ou atuem conforme anunciado (ou seja, meios fraudulentos de transmissão não criam riqueza).
Uma maneira menos óbvia de criar riqueza é investindo em instalações, equipamentos, educação e treinamento que aumenta a qualidade e a quantidade da produção de bens e serviços que podem ser negociados. Uma maneira ainda menos óbvia é através da proteção do que foi produzido. Isso cria riqueza indiretamente: as pessoas são mais propensas a produzir aquilo que podem manter ou negociar por outros tipos de riqueza, o que significa que os direitos de propriedade e o cumprimento de contratos são fundamentais para a criação de riqueza.
A maioria das pessoas veem que educação ou treinamento criam riqueza, direta ou indiretamente. No entanto, por si só, pouca ou nenhuma riqueza é criada. Qual é o valor de um programador de computador sem um computador? Quanto valem jornalistas, atores ou atletas profissionais sem a TV e os bilhões em infraestrutura (privada) para exibir seus talentos? Quanta riqueza é criada por um soldador habilidoso sem equipamento de soldagem, ou máquinas ou ferramentas para soldar? Alguma riqueza é criada ao treinar um astronauta quando não há uma cápsula espacial (construída por empreiteiros privados)? Que tal um geólogo sem equipamento de perfuração, ou os milhões de dólares em equipamentos necessários para escavar – ou um caminhoneiro sem um caminhão?

O problema em tributar os ricos
Alíquotas mais altas de impostos em todos os níveis desencorajam o aumento da produção. Quando uma aposentada, com uma riqueza de conhecimento e uma vida de experiência, é obrigada a uma alíquota de imposto de renda federal de 46,25% [1] devido à forma como a previdência social é adicionada à base tributável, ela é muito menos propensa a trabalhar – o que significa que ela é menos propensa a produzir coisas que os outros consomem. Quando perceber que ela é atingida com 15,3% de imposto para profissional autônomo e um imposto de renda estadual de 9% em cima do imposto federal de 46,25%, é provável que ela deixe o trabalho; afinal, até mesmo os servos eram obrigados a entregar a César apenas 20% do que produziam.
Quando um jovem empreendedor compreende o fato de que cada dólar que ele ganha, representando a criação de bens ou serviços que os outros voluntariamente compram, está sujeito a taxas de 40% de imposto, ele será muito menos propenso a trabalhar mais e mais. Em algum momento, o trade-off por prazer é percebido como tendo mais valor do que o trabalho, o que significa que a provisão de valor para os outros atinge um limite precoce.

Pior, o empresário em desenvolvimento tem menos capital, o que se traduz em menos produção e menos compras das ferramentas, dos equipamentos e do treinamento contínuo necessários para aumentar a produtividade – diminuindo assim a oferta de bens e serviços que de outra forma seriam disponibilizados a terceiros.
Os investidores são muitas vezes de uma raça diferente. Eles geralmente não param de investir, tornando-se alvos suculentos para uma tributação exorbitante. No entanto, os impostos retiram de seus cofres os fundos com os quais criam instrumentos, equipamentos e maquinários necessários para o uso dos trabalhadores-produtores instruídos, formados ou qualificados.
Tais fundos são transferidos para as mãos do governo, que em geral simplesmente transfere fundos e, quando investe (como em infraestrutura e educação) tem provado de novo e de novo ser um medíocre investidor (pensa na Solyndra). Pela falta de um mecanismo de feedback informando se está fazendo um trabalho ótimo, bom ou péssimo – especificamente, um lucro ou um prejuízo que ameace colocar o investidor fora de mercado (ou realmente o faz) por não agradar o rei consumidor – bens e serviços não são tão eficientemente fornecidos.
Se, em vez disso, os investidores pudessem manter seus fundos e investir, todos nós seríamos mais ricos – incluindo aqueles de nós que ganhamos a vida usando caminhões e computadores.
Depois de certo ponto, as pessoas ricas investem. Elas muitas vezes vivem muito abaixo das suas condições e investem o resto. Logo, são realmente elas que se beneficiam de seu capital? Não. São as bilhões de pessoas que se beneficiam com os bilhões investidos em fábricas de microchip; e os bilhões que se beneficiam das instalações para a produção de carros; são as milhões de pessoas que se beneficiam de passeios na Disneyland todos os anos, onde a maioria dos americanos podem fazer vários passeios de milhões de dólares ao preço de um dia de trabalho ou menos.
Os benefícios do capital – de propriedade tanto de super ricos como da classe média-alta, em grande parte através de contas de aposentadoria, investindo montantes mais modestos – são fornecidos para nós, desde smartphones e laptops, até viagens à Disneyland e cruzeiros oceânicos – para o nosso proveito por uma pequena fração do custo desse capital. Bilhões para o deleite e benefício de bilhões.

Pare com os impostos
Portanto, baixas alíquotas marginais de imposto sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos – sob a forma de capital, que inclui fundos investidos. Somente isso cria as instalações e equipamentos que produzem nossos smartphones e aviões e navios de cruzeiro tornando possíveis nossas férias em lugares distantes nos quais apenas um século atrás nossos ancestrais não podiam sequer sonhar.
Este capital também é a mãe da igualdade de renda: quando você considera todas as “coisas” que temos hoje, que ou não existiam há cinquenta anos, ou existiam mas para as quais seu custo desabou, o capital iguala o poder de renda para os não-qualificados, fracos e enfermos.
Considere: quase qualquer um pode operar máquinas que fazem a grande maioria do trabalho – a produção – e ganhar uma renda decente. Uma pessoa com um QI de 120 não tem qualquer vantagem sobre outra com um QI de 80 ao operar um grande equipamento; nem uma pessoa de 110 quilos tem uma vantagem sobre outra que pesa 55 quilos. Um homem não tem vantagem sobre uma mulher programando ou operando um computador. Os não-deficientes têm pouca ou nenhuma vantagem sobre os deficientes na criação de imagens de computador.
Alíquotas de impostos baixas e uniformes criam uma fonte de capital. Pessoas de renda média a alta que não consomem todos os seus ganhos investem suas economias e criam o capital necessário para a indústria e os equipamentos – as fábricas de microprocessadores e caminhões – que criam um padrão de vida mais alto para todos, incluindo os pobres, enfermos e deficientes.

Notas:
[1] Todas as contas desse parágrafo fazem referência ao sistema tributário americano. Mesmo sem conhecer tal sistema, no entanto, é fácil entender o ponto do autor. (N. do E.)

Autor: Doug Thorburn.
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

AnCap - Minarquismo Toda Anarquia Gera Poder de Estado

AnCap - Minarquismo Toda Anarquia Gera Poder de Estado


CONTATO= filmesonline@ymail.com ============================= = = = = = = = APOIAS-SE = = = = = = = https://apoia.se/anarcocapitalismo ======================

============================== Para apoiar o canal deposite nessa conta Banco: 033 - Santander Agência: 1402 Conta: 77000008-5 CPF: 415.087.260-00 Francisco Amado Biblioteca Ancap http://www.slideshare.net/franciscodeassisPOA/documents



=================================== SOBRE AS MENTIRAS DO AQUECIMENTO http://revistacalibre.blogspot.com.br... Exibido em 8/3/2007 pelo Channel 4 britânico, "A Grande Farsa do Aquecimento Global" (de Martin Durkin) vai na contramão de "Uma Verdade Inconveniente" (de Al Gore), reunindo os depoimentos de cientistas reconhecidos para denunciar que a teoria do aquecimento global causado pelo homem não tem base científica e que a elevação da temperatura decorre de um ciclo natural. http://www.youtube.com/watch?v=Pg3TRo... ===================================

Pesquisas comuns sobre AnCap - Minarquismo: Toda Anarquia Gera Poder de Estado respondidas nesse vídeo: 1 Toda Anarquia Gera Poder de Estado 2 AnCap - Minarquismo 3 Jesus Huerta de Soto 4 Canal Nostalgia 5 Hans-Hermann Hoppe 6 #FranciscoAmado 7 AnCap 9 Anarco Capitalismo 10 Aquecimento global.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Instrumentos de tortura atribuídos à inquisição

instrumentos de tortura atribuídos à inquisição

Chega às raias da irracionalidade as mentiras e o ódio que certas pessoas nutrem pela Igreja Católica – ódio preenchido com acusações  tolas, idiotas, absurdas, infantis, irracionais e com acessos de fúria injustificados recheados de falsa propaganda para difamar a Igreja. 

Um exemplo disto são os tais “Instrumentos de tortura utilizados na Inquisição” presente em diversos sites e vídeos internet à fora. Sem qualquer tipo de referência histórica, os propagadores deste mito utilizam gravuras e explicações de como esses instrumentos eram utilizados, atribuindo isso a “malvada e aterrorizante inquisição”.

A maioria dos instrumentos alegados sequer existia na época que a Inquisição operava, tal qual a “Dama” ou “Boneca de Ferro”, que surgiu no fim do século XVIII, já quando a inquisição estava acabando, feita por um artista e que nunca foi utilizada para torturar ninguém em nenhuma época, mas é alegada ter sido usada na Inquisição.  

Neste presente texto, gostaríamos demonstrar ao leitor a mentira dos principais instrumentos atribuídos a torturas na Inquisição, bem como desmitificar a lenda negra da tortura deliberada nos tribunais desta instituição.

 

O USO DA TORTURA NA INQUISIÇÃO

Embora os tribunais inquisitoriais recorressem a tortura, ela era raramente aplicada. Vários estudos realizados por estudiosos recentes têm argumentado que a tortura era praticamente desconhecida no processo inquisitorial medieval. O registro de Bernard Gui, inquisidor de Toulouse por seis anos, que examinou mais de 600 hereges, mostra apenas um caso em que foi usada tortura. Além disso, nas 930 sentenças registradas entre 1307 e 1323 (e vale a pena notar que registros meticulosos eram feitos por notários pagos escolhidos entre tribunais civis), a maioria dos acusados foi condenada à prisão, ou ao uso de cruzes, e penitências, sem qualquer tortura.
 
Que a inquisição raramente usou a tortura em seus processos, ao contrário do que alegam os difamadores, é afirmado pela quase totalidade das maiores autoridades modernas sobre a Inquisição.  

O Prof. Doutor Henry Kamen (maior autoridade viva sobre a Inquisição Espanhola) em seu livro “Spanish Inquisition: A Historical Revision” afirma:
“A tortura era usada, normalmente como um último recurso e aplicada em apenas uma minoria dos casos. Muitas vezes, o acusado era apenas colocado em conspectu tormentorum, quando a visão dos instrumentos de tortura já provocava uma confissão. Confissões obtidas sob tortura não eram aceitas como válidas, porque elas obviamente tinham sido obtidas por pressão. Era, portanto, essencial para o acusado ratificar sua confissão no dia seguinte à provação.” (Spanish Inquisition: A Historical Revision Pg. 188)

No documentário sobre “A Lenda da Inquisição Espanhola”, produzido pela BBC de Londres, ele dá números mais exatos:

“Na verdade, a Inquisição usava tortura muito raramente. Em Valência, descobri que de 7.000 casos, apenas dois por cento sofreram alguma forma de tortura em tudo e, geralmente por não mais de 15 minutos... Eu não encontrei ninguém sofrendo tortura mais do que duas vezes”. (“O mito da inquisição espanhola”  Documentário da BBC, Nov. 1994)

O Prof. Jaime Contreras concordou:

“Nós encontramos, ao comparar a Inquisição espanhola com outros tribunais, que a Inquisição espanhola utilizava a tortura muito menos. E se compararmos a Inquisição espanhola com tribunais de outros países, vemos que a Inquisição espanhola tem um registro praticamente limpo no que diz respeito à tortura.” (“O mito da inquisição espanhola”  Documentário da BBC, Nov. 1994)

Também o Historiador Rino Camilleri em sua “La Vera Storia dell’ Inquisizione” explica:

“As fontes [históricas] demonstram muito claramente que a Inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura "relativamente pouco frequente e geralmente moderado, era o recurso à pena capital, excepcional depois do ano 1500". 

O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura. Os manuais para inquisidores convidavam a que se desconfiasse dela, porque os fracos, sob tortura, confessariam qualquer coisa, e nela os "duros" teriam persistido facilmente. 

Ora, porque quem resistia à tortura sem confessar era automaticamente solto, vai de si que como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada por escrito pelo imputado posteriormente, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo).” (Rino Camilleri - La Vera Storia dell ´Inquisizione, pg. 46-47).

O historiador Jean Dummont diz:

“E os mesmos inquisidores - que usaram muito pouco a tortura - como veremos nos capítulos dedicados à Inquisição rejeitam explicitamente em seu grande Directorio, ·o de Eimerico, que escreve: “A tortura é enganadora e ineficaz”. E rejeitaram tanto que, como veremos, a queda real da tortura romana começa historicamente com os tribunais canônicos da Inquisição.” (Jean Dummont – La Iglesia Ante El Reto de la Historia - Página 58)

A professora de história Medieval Marian Horvat concorda:

“A tortura foi autorizada pela primeira vez por Inocêncio IV na bula Ad Extirpanda de 15 de Maio, 1252, com limites que não poderiam causar a perda de um membro ou pôr em perigo a vida, só podia ser aplicada uma vez, e apenas se o acusado já parecesse praticamente condenado de heresia por provas múltiplas e determinadas. Certos estudos objetivos realizados por estudiosos recentes têm argumentado que a tortura era praticamente desconhecida no processo inquisitorial medieval. 

O registo de Bernard Gui, o inquisidor de Toulouse por seis anos, que examinou mais de 600 hereges, mostra apenas uma instância em que foi usada tortura. 
Além disso, nos 930 sentenças registradas entre 1307 e 1323 (e vale a pena notar que registros meticulosos foram mantidos por notários pagos escolhidos entre tribunais civis), a maioria dos acusados foi condenada à prisão, ou ao uso de cruzes, e penitências. Apenas 42 foram abandonados ao braço secular e queimados.” (Marian Horvat - Inquisição: Mito e realidade)

Nicolau Eimeric (trataremos especificamente sobre ele em outro texto) em seu “Directorium”, como menciona Jean Dummont, apesar de aceitar a tortura, diz que ela é ineficaz e enganosa, e exclama: “Que isso se faça sem crueldade, nós não somos carrascos”. E explica que a tortura só haveria de ser aplicada quando houvesse acabado todos os meios possíveis de descobrir a verdade:

“O tormento não se deve ser utilizado até terem sido utilizados todos os outros meios de descobrir a verdade, porque muitas vezes os bons modos bastam para fazer com que o réu confesse, o jeito, as suas próprias reflexões, as exortações dos indivíduos bem-intencionados, e desconfortos da cadeia. A tortura não é o meio infalível de apurar a verdade. Homens pusilânimes na primeira dor já confessam crimes que não cometeram; outros valentes e robustos suportam os tormentos mais cruéis.” (Adnotat. Lib III)

Quando a tortura era utilizada os métodos a que recorriam os tribunais inquisitoriais eram a garrucha, toca e o potro. A aplicação da garrucha, também conhecida como o strappado, consistia em suspender o criminoso no teto por uma polia com pesos amarrados aos tornozelos, com uma série de elecações e descidas, durante os quais os braços e pernas sofriam puxões violentos e às vezes eram deslocados. 

A toca, também chamado de tortura de água, consistia em introduzir um pano na boca da vítima, e forçá-los a ingerir água derramada de um frasco de modo que eles tinham impressão de afogamento que segundo Henry Kamen “Foi o procedimento mais comum até o século XVI”.  (A Inquisição Espanhola. Uma revisão Histórica. Pg.186.)

O potro, ou raque, foi o instrumento de tortura usado com mais frequência após o século XVI, consistiam em uma tábua na qual colocavam o réu, e amarravam seus membros com cordas, a medida que a tortura ia continuando as cordas eram apertadas causando dor ao acusado, em alguns casos estas tábuas tinham alguns pregos que feriam o réu.

Assim define Henry Kamem:

A regra básica na tortura era determinada que o acusado não deveria sofrer nenhum perigo de vida ou de ferimentos graves. Pelo direito da Igreja, tribunais eclesiásticos não podiam matar nem poderiam derramar sangue. Nenhuma torturas distinta foi utilizada pela Inquisição. As mais frequentemente empregadas eram comumente usadas em outros tribunais seculares e eclesiásticos, e quaisquer queixas de novas torturas certamente referem-se raras exceções. 

Os três principais foram a garrucha, a toca e o potro. A garrucha ou polia consistia em pendurar pelos pulsos a partir de uma roldana no teto, com pesos pesados ligados aos pés. O acusado era levantado devagar e de repente deixava-se cair com um puxão. O efeito era estirar e talvez deslocar braços e pernas. O toca ou tortura de água era mais complicada. 

O acusado era preso em uma madeira, sua boca era mantida à força aberta e um pano toca ou linho era colocado em sua boca para conduzir a água derramada lentamente de um frasco. 

A gravidade da tortura variava com o número de vasos de água utilizadas. O potro, que foi o mais comum após o século XVI, consistia em amarrar em uma tábua por meio de cordas que eram passadas em volta do corpo e membros e eram controladas pelo carrasco, que os apertados por nós nas cordas no fim. Com cada aperto as cordas feriam o corpo e apertavam a carne. (Henry Kamem – The Spanish Inquisition: A Historical Revision. Pg. 190)

A LENDA DOS INSTRUMENTOS

Para refutar  a utilização de todos os instrumentos, bastaria-nos negar a sua utilização, pois a totalidade dos sites e propagadores desses instrumentos não trazem qualquer referência ou documento que prove a utilização deles pela inquisição, logo, o que é afirmado sem provas, pode ser negado sem provas. Porém, para o estudioso da inquisição, este método não satisfaz, é necessário, portanto, fazermos a análise da história desses instrumentos. 

Além dos instrumentos, é necessário lembrar das diversas gravuras que são propagadas sobre as sessões de tortura, que são frutos de artistas que não viram qualquer sessão.

O historiador Jean Dumont, atualmente o melhor defensor da Inquisição, ressalta que gravuras do século 16 retratando Autos de Fé (anúncio público da sentença dos investigados pela Inquisição) exibiam construções com telhado triangular. Este tipo de arquitetura era comum nos Países Baixos e no vale do Reno regiões que são protestantes, não na Espanha. Esse detalhe revela as origens protestantes das gravuras.

 A DAMA (OU VIRGEM) DE FERRO

A Dama de Ferro é provavelmente o mais famoso instrumento de tortura da história. A Dama de Ferro não é nem medieval ou da inquisição e nem um instrumento de tortura. Não existe nenhum registro histórico de uma “Dama de Ferro” até 1793.

No século XIX, catalogou-se a Dama de Ferro como instrumento medieval e ela foi exposta em diversos museus pelo mundo. O San Diego Museum of Man e o Museu Universitário de Meiji também a expuseram, mas contraditoriamente um colunista da própria página do San Diego Museum of Man publicou, no dia 25 de Julho de 2012, um artigo chamado 'Medieval Imposter: the Iron Maiden', “A Dama de Ferro, impostora medieval”. Neste texto, o colunista refuta o suposto uso de tal instrumento em uma execução realizada no dia 14 de agosto de 1515; a narração era um conto, uma fábula, com pouco ou nenhum valor histórico. [1]

Assim declara o Dr. Vortrag Klaus Graf:

“O objeto de execução, ‘Dama de Ferro’, é uma ficção do século XIX, já que somente a partir do século XIX que as chamadas "rishard cloaks", também chamadas de “damas”, foram providas de espinhos de ferro; deste modo, os objetos foram adaptados para as fantasias terríveis na literatura e nas lendas.” (Mordgeschichten und Hexenerinnerungen - das boshafte Gedächtnis auf dem Dorf, June 21, 2001)

GUILHOTINA



A guilhotina é mais um dos casos de instrumentos que surgiram após inquisição, mas são atribuídos a ela. Não existe qualquer relato do uso desse instrumento pela inquisição, até porque uma das regras da Inquisição era não derramar sangue.  

Também, não há nenhuma evidência histórica que a guilhotina tenha sido usada antes da Revolução francesa. Porém a história da guilhotina começou muito antes, mas quando e onde exatamente, ninguém sabe. Após 1577 algumas histórias contam que máquinas parecidas como a guilhotina foram usadas na Alemanha, Grã-Bretanha e Itália, em 1300, por alguns tribunais seculares, mas não há nenhuma evidência clara para provar isso.

Somente em 1789 que o parlamento Francês seguindo o conselho do Dr. Guillotine, (dai o nome Guilhotina) recomendou que o machado e a espada fossem substituídos por esse instrumento, para evitar o sofrimento do réu, que muitas vezes sofria com os vários golpes de machado e espada até serem completamente decapitados. [2]

A PERA

A “Pera” ou “Pera da angústia” é mais um instrumento falsamente atribuído a inquisição. 

Além de não existir qualquer registro histórico que ela tenha sido usada na Inquisição, não existe qualquer referência a ela antes do século XVII, e não há qualquer registro que ela tenha sido usada por quem quer que seja, exceto alguns ladrões holandeses que para torturar seus inimigos, teriam supostamente utilizado esse instrumento.  

Outro mito é que esse instrumento seria utilizado para “rasgar” o ânus ou órgãos genitais das pessoas, não existe qualquer fundamento, mesmo os ladrões holandeses utilizavam apenas para abrir a boca das pessoas. [3]

A CADEIRA ESPANHOLA


 
Outro mito é a “Cadeira espanhola” ou “Cadeira das Bruxas”. Parecia uma poltrona com pregos transpassando-a. Supostamente a pessoa era amarrada neste monstro de metal e os pregos realmente justos ao seu corpo e, em seguida, seus pés eram descalços e era aceso no fogo até que falasse. Soa hediondo, não é? Ainda bem que os espanhóis nunca contrataram quaisquer fabricantes de móveis para fazer este dispositivo de “descanso”.

Não há absolutamente nenhum registro dele antes que ele aparecesse em um museu para assustar as pessoas em 1800. É uma farsa. Ninguém estava depravado o suficiente para realmente usar esta coisa em uma pessoa viva, muito menos a Inquisição Espanhola.
 

BERÇO DE JUDAS


 
O berço de Judas também conhecido como culla di Giuda foi inventado no século XVII e não há qualquer registro de seu uso pela inquisição, a não ser gravuras atribuídas a inquisição. Neste método, o condenado era içado para cima da pirâmide e era repetidamente e violentamente puxado para baixo, machucando seu ânus e ou vagina.

A invenção deste instrumento é atribuída a Ippolito Marsili, professor de direito canônico e penal que viveu entre os século XV e XVI. 
É falsamente atribuído a Ippolito Marsili, pelo simples fato que Ippolito sendo contra a tortura corporal pelos tribunais seculares, onde o réu ficava a mercê dos juízes, inventou o “tormento do sono”, que consistia em colocar o acusado em uma cadeira e não deixá-lo dormir até que confessasse. 

Para ele a privação do sono era um meio mais “humano” de tortura, já que não conseguiria abolir a tortura, e já que não infringia nenhum dano físico ao réu. Foi um avanço na abolição das torturas cruéis.[4]

Depois da criação do “berço de Judas”, que também utilizava a privação do sono como parte do procedimento, criou-se a associação entre a privação do sono de Ippolito, e o “berço de Judas”, inventado no século XVII.

 

A SERRA


Esta “técnica” consiste em colocar o acusado suspenso pelas pernas e o serrar verticalmente. É uma prática muito antiga que remonta ao reino persa, porém não há qualquer registro que tal prática tenha ocorrido na Inquisição. Os tribunais inquisitoriais não usavam nada que derramasse sangue, por isso os condenados a morte por heresia iam para a fogueira.

O único caso deste instrumento ter sido usado na Europa Católica, ocorreu na Espanha na época da revolta dos moriscos, onde um morisco é relatado como tendo sido serrado em 1568. [5]

CONCLUSÃO

Tratamos aqui apenas dos instrumentos mais famosos, existem outros como a esmaga cabeça, esmaga joelho, esmaga seio, “forquilha do herege”, roda dos despedaçamento, instrumentos que não tem qualquer tipo de registro que tenham sidos utilizados nos tribunais da inquisição. 
O ódio contra a Igreja e a preguiça de estudar a história como ela realmente aconteceu, faz com que as pessoas ajam como seres irracionais, vociferando acusações contra a Igreja, sem se darem conta da mentira e do papel lamentável a que se prestam.

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